sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Jornalistas da RBA de Jader & Helder, entram em greve



Os jornalistas que trabalham no Diário do Pará e Diário On line entram em greve por tempo indeterminado, a partir de hoje ao meio-dia. A decisão foi tomada em assembleia geral, em razão do impasse criado com a negativa da diretoria da empresa em negociar com o Sinjor-PA a pauta de reivindicações da categoria.

Desde abril, data-base dos jornalistas do grupo RBA, as tentativas de negociação foram em vão. Ontem, como resultado prático da sessão especial da Câmara Municipal que debateu a situação dos jornalistas, foi constituída uma comissão integrada por vereadores, OAB-PA, MPE-PA, Sinjor-PA, Fenaj e MPT, destinada a mediar um entendimento. A vereadora Meg Barros(PSOL) foi encarregada de telefonar para Jader Filho e marcar uma reunião. Ligou, falou com ele, que ficou de marcar, mas até agora nada.

Ontem à tarde, houve a primeira mesa de negociação com a empresa, que apresentou sua contraproposta, inicialmente de piso salarial de R$1.200, depois R$1.300 e admitiu por fim até R$1.500,00. A presidente do Sinjor-PA, Sheila Faro, apresentou as propostas aos trabalhadores hoje, mas a greve foi mantida. Acontece que o piso nas ORM é de R$1.900,00 e será renegociado. A intenção é fechar um acordo coletivo que contemple o maior número de cláusulas da pauta de reivindicações.

É indiscutível a legitimidade das reivindicações dos jornalistas. São direitos garantidos na Constituição e na legislação trabalhista, além do que se trata de direito à dignidade humana. Os depoimentos dos jornalistas são chocantes: salários líquidos que não chegam a R$ 800 (alguns sem carteira de trabalho assinada), péssimas condições de trabalho (sem água, copos descartáveis e até papel higiênico nas redações; cadeiras quebradas com registro de tombo de jornalista idoso; falta de equipamentos adequados para o trabalho, tais como computadores e máquinas fotográficas); e insegurança na apuração das pautas policiais, pela falta de colete à prova de balas, dentre outras coisas. Tudo isso não era nem para ser objeto de negociação, são obrigações às quais nenhuma empresa pode se furtar.


A versão de que os jornalistas estariam fazendo jogo político do PSDB e do governo para prejudicar a candidatura de Helder Barbalho ao governo do Estado é fantasiosa e não resiste ao exame de qualquer inteligência mediana. Não à toa, o vereador Igor Normando(PHS) foi estrondosamente vaiado quando defendeu essa tese, ontem, na sessão da Câmara Municipal. Deveria ter usado sua proximidade com os donos do grupo empresarial para aparar as arestas e intermediar um acordo, com o que estaria prestando um belo serviço à sociedade. Afinal de contas, é sempre bom lembrar que não se trata, absolutamente, de uma briga entre patrões e empregados e sim da luta legal e legítima por direitos humanos, de cidadania, constitucionais e trabalhistas.

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