quinta-feira, 7 de julho de 2011

Marituba quer compensação pelo lixo (O Liberal)




POLÊMICA
Proposta de abrir aterro sanitário para lixo metropolitano causa apreensão
Marituba não esconde o receio pela escolha de duas empresas privadas para abrir no município aterro sanitário que receba o lixo de toda a Região Metropolitana de Belém (RMB). A Revita Engenharia Ltda e a Clean Gestão Ambiental disputam a concessão para construir a Central de Processamento e Tratamento de Resíduos Sólidos em uma área de 110 hectares (o equivalente a 271 campos de futebol), com capacidade para receber 1.800 toneladas de resíduos por dia. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente constatou que o empreendimento coloca em risco de contaminação os mananciais de água, além de outros problemas ambientais. Os argumentos em defesa da construção da central de processamento de lixo em Marituba são a desativação dos lixões do Aurá, em Ananindeua, e de Santa Lúcia, em Marituba, e a adequação à Política Nacional de Resíduos Sólidos, que determina, entre outras providências, o fim dos lixões até 2014.
O tema é polêmico e inspirou uma audiência pública na segunda semana deste mês. A Prefeitura de Marituba exige compensação ao município caso o aterro seja criado. O debate envolve também as empresas que idealizaram o projeto; a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, responsável pela concessão da licença ambiental; a Promotoria de Meio Ambiente do Ministério Público; as prefeituras dos demais municípios da região metropolitana e, principalmente, os catadores de lixo.
"Eu sou analfabeto. A gente vive daqui e, isso fechando, onde eu vou ficar com todo esse pessoal? Eu vejo amigos que trabalham com a gente que não têm nada para comer. Às vezes, eu divido até o meu café com eles", conta Abdias Trindade Morais, 42 anos. Junto com a mulher, Alneide, 33 anos, Abdias trabalha dia e noite no lixão de Santa Lúcia para faturar, no máximo, R$ 250 a cada 15 dias. Com o dinheiro, eles sustentam as quatro filhas, com idades entre dois e 15 anos. A preocupação do casal é a mesma das outras pessoas que sobrevivem daquilo que tiram do lixão de Santa Lúcia. "A Revita tem que olhar para o nosso lado. Como vão ficar essas famílias?" questiona Edson Luís Barbosa da Silva, presidente da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Marituba, entidade que está sendo formalizada para poder fazer acordos e propor projetos à Prefeitura ou às empresas que estão propondo a abertura de um novo aterro sanitário.

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